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Merlo

Merlo

Qua | 02.07.25

No metro, de volta a casa

Marco

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No metro, a caminho de casa, os dias continuam quentes. O ar condicionado está ligado, mas mal se nota — parece que sopra calor em vez de fresco.

Entro na carruagem e, por sorte, vejo um lugar vago. Dirijo-me para lá. Raramente há lugares sentados, costumo ir de pé. Passamos por uma estação que, há uns tempos, era onde saía antes de seguir para casa. Agora já não. Fico ali, imóvel, a caminho de casa. Às vezes com um aperto no peito — mas sigo.

Observo o que me rodeia. Perco minutos a olhar para os cartazes junto à porta ou, simplesmente, reparo nas pessoas. Há quem vá a ler um livro — tento sempre espreitar o título, mas nem sempre consigo. Outros vão agarrados ao telemóvel; dá para perceber que deslizam o dedo pelo Instagram, distraídos nas vidas dos outros.

Do outro lado da carruagem está um casal de namorados, ainda jovens. Ela segura um copo de gelado — parece açaí. Abre uma saqueta e despeja algo lá dentro — talvez granola ou topping. Falam entre sorrisos, trocam carinhos.

Mas há algo que me prende o olhar: ela tenta dar-lhe um pouco do gelado com os dedos. Ele recusa e ela continua a comer assim — com os dedos. Para mim, foi desconcertante. Talvez o estranho seja mesmo eu, que não consigo imaginar comer com as mãos num transporte público. Pode ser um resto de trauma do COVID… ou apenas uma mania minha.

Chega a hora de trocar de linha. É sempre uma correria, como se o tempo apertasse mais ali.  O novo metro chega a 7 minutos e 30 segundos. Tento aproveitar aquele tempo para ligar a alguém — só para não ficar sozinho a olhar para a linha dos carris. Mas ninguém atende.

Fico ali… apenas a olhar para a linha dos carris.

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